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A guerra do futuro vai ser por causa da escassez alimentar

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A guerra do futuro vai ser por causa da escassez alimentar

Postby leonidas on Thu Apr 10, 2008 10:19 am

Vários países mergulham no caos devido a protestos
Violentos motins causados pelo aumento dos preços dos alimentos estão a provocar o caos no Haiti. Os tumultos já duram há uma semana e provocaram até agora pelo menos 5 mortos e 40 feridos. A situação agravou-se ontem, quando manifestantes tentaram atacar o palácio presidencial, em Port-au-Prince. Forças da ONU dispararam balas de borracha para dispersar a multidão e o Brasil, que comanda a missão das Nações Unidas, já enviou comida de emergência.


(10 de Abril de 2008)




O Haiti é apenas um dos países afectados por um problema que se agrava em cada dia que passa: o aumento mundial dos preços dos alimentos, fenómeno complexo que ameaça a estabilidade de regiões pobres e centenas de milhões de vidas.

Os preços mundiais estão a aumentar há três anos. Só o custo do trigo, por exemplo, subiu 181% em 36 meses. As razões são diversas, mas estão sobretudo relacionadas com mudanças no consumo e com o petróleo caro. O aumento do preço da energia torna os fertilizantes mais dispendiosos e o transporte mais caro. Também estimula a produção de biocombustíveis (por exemplo, à base de milho, girassol ou soja), que por sua vez, desequilibram a oferta de rações para animais.

A isto somam-se alterações climáticas, que não têm impacto nas produções mundiais, mas podem ser catastróficas a nível regional.

Ontem, em Nova Deli, Jacques Diouf, o director-geral da FAO (a agência da ONU para a alimentação) fez um novo alerta para o problema do aumento dos preços e os respectivos efeitos na alimentação dos mais pobres. "Os preços subiram 45% nos últimos nove meses e há uma séria falta de arroz, trigo e milho", disse Diouf.

As organizações internacionais, como a FAO ou o Banco Mundial, têm alertado para a questão. Além do Haiti, já houve incidentes no Egipto (anteontem morreu um jovem durante uma manifestação provocada pelos preços elevados da comida), na Costa do Marfim, Camarões, Bolívia, México ou Iémen, entre muitos outros.

A crise alimentar atinge 36 países, segundo a FAO, não apenas pelo aumento dos preços dos alimentos, mas por efeitos regionais, tais como secas, inundações, conflitos políticos ou dificuldades de pós-conflitos. A Suazilândia ou o Lesotho, por exemplo, estão em seca há vários anos. O Zimbabwe mergulhou em profunda crise política. A respectiva situação alimentar é de "faltas excepcionais" de alimentos.

Na Ásia, a situação mais grave é no Iraque, onde há milhões de deslocados, mas também no Afeganistão ou na Coreia do Norte. A insegurança alimentar (situação menos séria do que a anterior) afecta países muito populosos, tais como República Democrática do Congo, Quénia, Etiópia, Paquistão, Indonésia ou ainda Bolívia, entre outros.

A população mundial aumenta entre 50 milhões e 70 milhões de pessoas em cada ano. Isto está a provocar uma forte pressão sobre a terra arável disponível. Enquanto os países mais ricos, como os da União Europeia ou os Estados Unidos, estão há duas décadas a reduzir os espaços agrícolas; outros, como China, Índia ou Brasil tendem a aumentar as terras aráveis, causando maior erosão dos solos.

O enriquecimento de alguns países também tem impacto. Em 1980, o consumo per capita de carne, na China, era de 20 quilos; agora é de 50 quilos. Mas, nos países mais pobres do mundo, um quarto da população gasta 70% a 80% do seu rendimento em comida. São estes países que mais sofrem com a inflação internacional.

Um dos Objectivos do Milénio, proclamados pela ONU com meta até 2015, era o de erradicar a pobreza extrema e a fome. As razões para o aumentos extraordinário dos preços dos alimentos não vão desaparecer tão cedo e o objectivo parece comprometido. As grandes fomes do passado foram provocadas por conflitos ou falhanços catastróficos de colheitas. A actual situação de subida muito rápida e acentuada de preços mundiais é inédita, dada a extensão do comércio internacional. As consequências são uma incógnita.

LUÍS NAVES

Fonte: DN


Neste contexto a defesa da REN (reserva ecológica nacional) e as convicções do eng. Ribeiro Telles estão a ganhar actualidade

saber mais:
http://www.somosportugueses.com/modules ... toryid=400

http://www.somosportugueses.com/modules ... php?id=364

este vai ser um tema do futuro, pois a maioria do planeta vai cair no caos nos próximos 10 anos, já que nem a China é autosuficiente a nivel alimentar


bem haja
leonidas
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Postby MiguelSLFerreira on Thu Apr 10, 2008 12:19 pm

Prezado Leónidas:

Muito pertinente este seu post... Este é, infelizmente, um problema cada vez mais actual.

Muitas das guerras que actualmente se desencadeiam, têm o Petróleo como motivo... Também existem algumas por causa da água e no futuro serão por questões alimentares.

Participei uma vez numa palestra relativa ao tema “Petróleo e Energias que Futuro” em que o orador (ex Director Geral da Petrogal e Professor na Faculdade de Engenharia) referiu que o petroleo se está a esgotar...

O orador, referiu que se está a gastar inutilmente (e a esgotar) o petróleo nos transportes e na produção de electricidade, quando este também é necessário para outros sectores como os tecidos. O problema é que, para os transportes e para a produção de electricidade, existem alternativas, mas existem sectores que dependem do petroleo e não têm nenhum recurso alternativo.

Tenho, até aqui, defendido o principio do Desenvolvimento Sustentavel e acho que este principio será cada vez mais necessário para fazer face a problemas futuros. Julgo que a sociedade não está consciente da necessidade de se utilizar racionalmente os recursos...

Por exemplo, Portugal poderia ter na biomassa um negócio muito rentavel. A produção, por exemplo, de Água Quente sanitária com base na queima de pellets (produzidas através dos desperdicios da industria da madeira e da limpeza das matas), poderia implicar uma diminuição de consumo de petróleo (que é importado), criar muitos empregos e reduzir o número de incendios... Ver: http://www.arsalambiente.pt/docs/Sistem ... ellets.pdf

[align=center]Image
Figura 1 - Pellets


Por outro lado, poderia-se apostar nos bio-combustiveis, no entanto, esta aposta só traria vantagens se Portugal optasse por aumentar a produção agricola (de girassol, por exemplo). Mas, atendendo à republica das bananas em que vivemos, acho que mais depressa se optaria por importar a matéria prima necessária aos bio-combustiveis, que produzi-la cá.

[align=center]Image[/align]
[align=center]Figura 2 - Bio-combustiveis[/align]

O problema, por vezes, é o comodismo das sociedades.
MiguelSLFerreira
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